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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Bolonha e as Universidades: uma estratégia ou apenas um "acordo"?

Bolonha e as Universidades: uma estratégia ou apenas um "acordo"?


No passado dia 30 houve mais uma conferência ministerial sobre BOLONHA.
Ao todo já aderiram a este "processo" 47 países da Europa e não só!

No entanto, mesmo quem já aderiu, como Portugal, continua a descrever BOLONHA como sendo, unicamente, uma simples alteração do número de anos para concluir uma Licenciatura, um Mestrado ou um Doutoramento.

Mas não é!

Com "Bolonha" começou-se a projetar uma Europa diferente, a pensar mais longe e iniciou-se um processo que poderá, um dia, conduzir-nos à criação do Espaço Europeu de Ensino Superior (EHEA).

Se juntarmos a isto a consolidação, prevista para 2014, das "regras"  para o que virá a ser o Espaço Europeu de Investigação (ERA), conseguiremos, provavelmente, na Europa, constituir um "Mercado Comum" de Educação e Ciência (e desculpem a expressão Mercado) o que só poderá conduzir a um maior fortalecimento, uma maior competitividade e um maior reconhecimento das nossas Instituições de Ensino Superior e de Investigação; logo um futuro melhor para as gerações futuras.

Parece uma moda falar em competitividade mas, na realidade, a Europa está a perder algum terreno nestas áreas, tem falta de graduados em áreas importantes, tem muita boa investigação fundamental mas tem falta de transferência para empresas, produz poucas patentes viáveis.

E isto é a Europa, não estou a falar de Portugal!

A Europa, tirando honrosas excepções, tem necessidade de modernizar a maioria das suas Instituições de Ensino Superior, de facilitar a mobilidade de docentes, investigadores e estudantes, de acelerar e tornar mais eficiente o diálogo Universidade: Investigação: inovação/Empresas.

A ERA tem que vir a ser um sucesso! Os objectivos deverão ser atingidos de forma consensual, pragmática e operacionalizáveis no terreno (a este propósito sairá um Comunicado da Comissão durante este mês).

E tem que se pensar também na EHEA.

O processo de Bolonha, ao qual eu sou favorável, (e sobre o qual tenho a certeza que ainda nenhum país conseguiu, sequer, atingir uma ínfima parte do que é proposto), tinha uma agenda visionária e ambiciosa: adequar os métodos de ensino aos "tempos modernos"; facilitar a mobilidade de docentes e alunos; fortalecer as Instituições de Ensino Superior facilitando o estabelecimento de parcerias entre elas; reconhecer aos estudantes as chamadas "soft skills" ou seja reconhecer que na maioria das circunstâncias da nossa vida, aprendemos; promover a qualidade e a avaliação da aprendizagem  e do ensino (transferência de conhecimentos) por métodos objectivos.

Mas, como já disse, falta quase tudo; tirando a "cosmética" do número de anos e de graus, pouco mais se fez:

·         a avaliação dos curricula dos cursos já é, em muitos casos feita por agências independentes (a "nossa"  A3ES), a avaliação de docentes, por outro lado, não é uniforme.

·         o reconhecimento de competências, ou das "soft skills" não é homogéneo, os créditos das unidades curriculares estão atribuídos sem qualquer relação com o esforço solicitado ao estudante, e a decisão de "passar" ou "chumbar" continua a estar dependente, na maioria dos casos, de um exame final.

·         os estudantes obtêm um diploma, com um suplemento que pretende informar sobre as "soft skills". Contudo, entre as instituições de um mesmo país, os critérios são díspares e, muitas vezes, não se reconhecem os créditos adquiridos noutras instituições estrangeiras ou nacionais: se o estudante beneficiou da mobilidade Erasmus, mesmo assinando um acordo prévio, muitas vezes não se reconhecem os créditos adquiridos na outra Instituição (a este propósito, inclusive, saiu uma reportagem no SOL de 7/6/2012);

·         se em vez de créditos ou de unidades curriculares, nos referirmos a graus, então o panorama entre Países ainda é pior.

Para além de muitos outros aspectos, o reconhecimento de graus continua a ser uma miragem!

Na última reunião de Ministros, em Bucareste, como em tantas outras, discutiu-se e aprovou-se um comunicado que vinha sendo debatido, entre as partes, desde há perto de seis meses.

O importante foi que, na véspera da aprovação, foram introduzidas pequenas alterações, posteriormente ratificadas, que, na minha opinião, são o primeiro sinal de que virá a ser possível termos um EHEA.

A alteração a que atribuo maior significado foi o acordo para introduzir, no comunicado final, o desejo de se vir a conseguir, ainda que a prazo, o reconhecimento automático de graus comparáveis.

A esta alteração foi adicionada uma outra para que seja constituído um "grupo de países que estude e explore os meios necessários para se vir a conseguir o tal "(long term) reconhecimento automático", primeiro entre os países que constituam o tal grupo, alargando-o de seguida a outros que o desejem.

Considero este, provavelmente, o maior passo para se vir a constituir efetivamente um Espaço Europeu de Ensino Superior e que possamos, realmente, configurar a Europa como o mercado de trabalho alargado para os nossos jovens.

Acho este o maior passo para podermos evoluir não só no ensino, mas também na investigação científica e na capacidade criativa e de inovação.

Acho que, atingir este objectivo, será um marco significativo para o ensino superior na Europa.

O grupo de países, do tal grupo "explorador", inclui todos os que se dispuserem a embarcar nesta aventura!

Portugal devia estar neste grupo!

LINKS: principais documentos da reunião Ministerial,  Bucareste Abril 2012



domingo, 13 de maio de 2012

O Ensino Superior e a Europa


Ana Maria Costa Freitas

Os relatórios recentes sobre o emprego na Europa estimam que, em 2020, 35% dos empregos disponíveis se destinarão a pessoas detentoras de educação superior. Neste momento, a Europa apenas consegue responder a 26% destas necessidades. Põe-se ainda a questão de saber se, mesmo estes 26% terão as formações mais adequadas, ou seja, se estaremos, globalmente, a formar pessoas de acordo com as necessidades do mercado do trabalho. Terão sofrido os curricula, as adaptações pertinentes?
O compromisso da Comissão para com a agenda “Educação e Investigação” está bem patente no documento Europa 2020. No mesmo sentido, o novo quadro de financiamento “2014-2020” propõe um aumento do orçamento para educação de cerca de 70%, e para a Investigação, de cerca de 40%.
Se o objectivo for a criação de emprego e a promoção do crescimento, esta será seguramente a política adequada. Com efeito, são inúmeros os estudos que relacionam o crescimento económico ao reforço da educação (superior) e às suas ligações à investigação e à inovação.

Educação (superior) e Crescimento Económico
 
O relatório da OCDE de 2011 admite claramente que existe "um retorno social e económico do investimento na qualidade, em educação". Em 2007 o relatório do banco Mundial intitulado "a Qualidade da Educação e o Crescimento económico" considera que o "acesso à educação deve ser uma das principais prioridades da agenda para o desenvolvimento". No entanto, é igualmente referido que "mais do que o grau, o diploma, ou o número de anos de escolaridade, o importante são as competências adquiridas”.  
Educação e Qualidade estão fortemente interligadas. Contudo, a qualidade pode vir a ser ameaçada pelo défice de financiamento ou pelo decréscimo do mesmo.

Situação Financeira das Instituições de Ensino Superior na Europa
 
De acordo com o estudo publicado em Julho de 2011 pela EUA (European University Association) a maioria das Instituições de Ensino Superior, na Europa, tem vindo a sofrer cortes no financiamento (em alguns casos da ordem dos 20%).
O relatório sobre a autonomia das Universidades (Novembro de 2011), igualmente da EUA, menciona que as questões de orçamento foram referidas pela maioria dos Conselhos de Reitores, Europeus, como sendo o principal "problema" com que as universidades se confrontam nos dias que correm.
O recente relatório da Banco Mundial (Setembro de 2011) The Road to Academic Excellence: the Making of World Class Research Universities refere que, embora permaneça incerto o modo como a actual crise, que começou em 2008, afectará, no geral, o ensino superior e as research universities em particular, é no entanto claramente evidente que a lenta mudança que se tem verificado no peso comparativo das Universidades da América do Norte e da Europa com as da Ásia oriental, será certamente acelerada por esta crise económica e, principalmente, pelas diferentes perspectivas e opções tomadas sobre os orçamentos para Educação, Investigação e Desenvolvimento durante um período de recessão.
Recentemente, nas principais conclusões da "International conference on Funding for Higher Education”, (Arménia, Setembro 2011), identifica-se uma falha na política de financiamento ou, mais exactamente, na adequação da política de educação. Em consequência, foi salientada a necessidade de implementação de uma política alargada de financiamento que venha fortalecer a Área Europeia de Ensino Superior  
Foi expressamente solicitado à Comissão que apresentasse soluções.

As propostas da Comissão
Em Setembro, a Comissão publicou um comunicado sobre "Modernização das Instituições de Ensino Superior" e, em Novembro, foi apresentado o novo programa para 2014-2020 Erasmus for all. Mantendo-se a maioria das questões anteriormente identificadas, afigura-se necessário aumentar o número de graduados, garantido, em simultâneo, uma formação de melhor qualidade, uma melhor administração dos recursos, bem como o incremento da internacionalização e da mobilidade.
O novo programa de Investigação Horizon 2020, bem como a firme decisão de estabelecer a European Research Area (ERA) até 2014, demonstram o esforço para consolidação do triângulo do conhecimento. A iniciativa Innovation Union é uma aposta da estratégia 2020.
O desenho final dos novos programas, a sua organização e as alocações de verbas para cada um dos subprogramas, serão objecto de um debate alargado. Os nossos competidores estão a aumentar massivamente o número de jovens no ensino superior, as suas políticas são imensamente agressivas e eles tornam-se cada vez mais relevantes neste mundo tão competitivo que é o da educação conhecimento e inovação.
Há consciência de que a Europa está a perder terreno na sociedade do conhecimento.
A Europa não pode perder!
Portugal também não pode perder!

O Ensino Superior depois de 2014

A Ciência é hoje universal!
Face à feroz competição que se trava entre o “ocidente” e os blocos geopolíticos emergentes, é urgente que se criem programas de investigação direccionados para os grandes desafios mundiais. Urge que sejamos capazes de ligar esses programas de investigação aos curricula universitários e, se possível, delinear curricula académicos internacionais (europeus ou ainda mais amplos) (sempre garantindo a autonomia das Instituições e as competências dos Estados membros) susceptíveis de responder aos desafios que nos são colocados no mundo actual. Temos de ser capazes de conjugar educação, investigação e inovação com as necessidades públicas e empresariais. Temos de aumentar e acelerar a cooperação e a internacionalização para além das fronteiras nacionais e, mesmo, europeias. Em resumo: temos que maximizar os nossos fundos, racionalizar os investimentos e tirar o máximo proveito das nossas capacidades, de modo a alcançarmos o máximo retorno deste investimento e conseguirmos promover, realmente, o crescimento económico de que a Europa tanto carece.
Estes objectivos só serão atingíveis se se conseguir sintonizar todos os actores, académicos, "stakeholders", estudantes e governos. 
O recente relatório do Banco Mundial Golden Growth Restoring the luster of the European economic model refere mais uma vez o reforço do triângulo do conhecimento “Educação, Investigação e Inovação”, como forma de reduzir o gap tecnológico ainda existente. É este o modelo que devemos seguir. O "elo mais fraco" deste modelo, em Portugal e na Europa, reside realmente na Inovação, sabendo-se que esta emana da Educação e da Investigação e se repercute no reforço do tecido económico e na sua competitividade. Ou seja, o "elo mais fraco" localiza-se na interligação, efectiva, entre os 3 vértices do triângulo.
Compete-nos mudar!
As Universidades, os Institutos de Investigação e a Indústria devem ser parceiras neste esforço e serem capazes de estabelecer as pontes que faltam, para contribuírem eficazmente, para o crescimento económico do qual resulta a criação de emprego.
A este "elo mais fraco" junta-se também, segundo o mesmo relatório, a falta de um "mercado único" de Educação, Investigação e Inovação. 
A Internacionalização, as parcerias, as redes, a EHEA (área europeia de ensino superior) e a ERA (área europeia de investigação) são necessárias e devem ser consolidadas. O nosso Mundo está fora do País porque o nosso País está no Mundo!
Deve ser esta a nossa aposta para o futuro!

E o Futuro de Portugal e do Ensino Superior em Portugal?
- Não atingiremos o investimento de 3% de PIB na Investigação!
- Não temos financiamento suficiente para aumentar, com Qualidade, a nossa percentagem de licenciados!
Como nos propomos nós, ACADEMIA(S) posicionarmo-nos como membros pró-activos para a resolução deste problema?

- A resposta fácil é: O Governo que decida!
Com esta resposta, que nos desresponsabiliza, não contribuiremos nem para nos tornarmos mais competitivos nem mais eficazes.
A outra resposta será, em consciência, mobilizarmo-nos para dizer REALMENTE o que fizemos e como nos organizaremos doravante!

Será que conseguimos responder a isto?


domingo, 6 de maio de 2012

"Especialização Inteligente" (Smart Specialization)


Ana Maria Costa Freitas

Realizou-se no passado dia 19 de Abril, em Lisboa, um seminário dedicado ao tema da "Especialização inteligente", organizado pela Direcção-Geral da Comissão Europeia para a Política Regional, em colaboração com o Observatório do QREN e com a Representação da Comissão Europeia em Portugal. Participaram no seminário representantes da Comissão Europeia, peritos internacionais convidados, responsáveis políticos portugueses pelas áreas da investigação e inovação, entidades responsáveis pela gestão, coordenação e monitorização de fundos estruturais em Portugal, parceiros sociais, especialistas nacionais e reitores de universidades portuguesas. Coube-me moderar o painel inicial, no qual o Conselheiro do Comissário Hahn (Política Regional) abordou o tema The economic fundamentals of smart specialisation.

A realização deste seminário permitiu a partilha de visões sobre o conceito de "Especialização Inteligente" e a sua aplicabilidade no contexto português.

Em 2014 entrará em execução um novo quadro comunitário que durará até 2020. A "especialização inteligente", estratégia apresentada na Universidade de Évora em Fevereiro passado, numa sessão infelizmente, muito pouco participada,  constitui um conceito novo e central da política regional da Comissão; será determinante para a atribuição dos fundos de coesão.

Pretende-se com este conceito promover um uso mais eficiente dos recursos, tornando o investimento público mais eficaz, tendo em vista a promoção do crescimento económico.

Basicamente, a Comissão pretende promover o crescimento económico, apostando forte nos "clusters" de ciência e tecnologia de maior viabilidade, garantindo o uso eficiente dos recursos, e do investimento, e estabelecendo sinergias entre as várias regiões. 

A futura política de coesão da UE será  baseada na concentração de recursos, na identificação clara de prioridades e no acompanhamento e avaliação de resultados.

Nesse sentido, a proposta da Comissão Europeia sobre regulamentos para o próximo período de programação dos fundos estruturais (2014-2020) inclui a adopção de estratégias de investigação e inovação para uma especialização inteligente (RIS3) como uma das condicionalidades para aprovação dos Contratos de Parceria com os Estados Membros, bem como dos respectivos Programas Operacionais.

Da narrativa da Comissão Europeia retiro as expressões mais significativas, para melhor enfatizar o sentido das políticas adoptadas:

"Adopção de estratégias de investigação e inovação "
"Especialização"
"Promover a qualidade"
"Utilizar fundos de forma sinergética"
"Tornar o investimento público mais eficaz"
"Promover o crescimento económico"

Tudo isto parece razoável para ser aplicado como estratégia NACIONAL (Portugal é pequeno demais para comportar várias estratégias regionais pois nunca teremos "massa crítica" suficiente).

Na perspectiva da aplicação desta estratégia ao Ensino Superior, no seu todo, ou mesmo, às universidades, devemos questionar desde já:

1.     Teremos uma estratégia (nacional ou regional) de Investigação e Inovação?
2.     Já definimos as nossas áreas de especialização (nacionais e por Instituição)?
3.     Promovemos a qualidade (em todas as áreas e em todas as Instituições)?
4.     Estamos a utilizar os orçamentos de forma responsável, sinergética, de modo a promover o crescimento (nacional e/ou regional)?
O que temos REALMENTE feito pelo Ensino Superior em Portugal?

No momento em que a Universidade de Évora prepara o seu Plano Estratégico para o horizonte de 2020, vale a pena pensar nisto!


Para mais informação sobre este tema, pode-se consultar: 
1.     o "Guide to Research and Innovation Strategies for Smart Specialisation (RIS 3)" recentemente publicado pela Comissão Europeia,
3.     o site desenvolvido  pela Smart Spesialisation Platform (S³P)
    
O Programa do seminários bem como algumas das apresentações estão disponíveis em: http://www.observatorio.pt/destaque.php?lang=0&id_channel=19&id_page=683

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A avaliação e acreditação pela A3ES

Muitas têm sido as notícias sobre a A3ES "Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior" e sobre o impacto que essas avaliação terá no número de cursos que será proposto pelas IES no próximo ano.
Refere-se, como exemplo de "vitória" que  o número de cursos apresentados para acreditação ( 886 cursos não foram propostos para acreditação) foi bastante inferior aos actualmente em funcionamento. Daí se pretende inferir,  intencionalmente ou não, que os não propostos não o foram apenas porque não tinham qualidade.
Não é verdade, pode não ser apenas isso, ou pode nem ter sido, sequer, essa a razão!
No mesmo relatório se refere que a definição dos indicadores de desempenho, que complementa a avaliação "feita pelos pares", ocorrerá durante 2010.
Ainda não estão disponíveis esses indicadores apenas o estudo referido!
Saliento dois aspectos:
1- Os indicadores são diferentes para o ensino Universitário e Politécnico, o que se percebe, mas o concurso de acesso é único!
Esta é uma questão que tem que deve ser abordada a curto prazo! Temos dois subsistemas e apresentamo-los aos alunos de forma indiferenciada.
2- Faz parte dos indicadores previstos a razão entre as vagas disponibilizadas e a procura!

É neste ponto que há questões que devem ser debatidas:
Este indicador apenas pode querer dizer que há pouca procura, naquela IES, podendo as razões ser várias, como aliás se refere.
No entanto, um curso pode estar bem estruturado, ter um corpo docente qualificado, ter docentes que desempenhem actividades de investigação relevantes, estarem incluídos num centro com qualificação de excelente, mas...não há procura!
Que fazer: 
Não deve ser acreditado?
Não deve ser permitida a abertura?
No meu entender a única "arma" de resposta ao mercado, de uma IES pública, é ter uma carteira ampla de cursos acreditados (o que revela qualidade reconhecida) os quais poderá abrir  de acordo com "esse mercado", com as disponibilidades de corpo docente e com a sua política interna!
Esta decisão deve ser da IES e apenas dela!
Poderá questionar-se:
E o Estado "paga" (financia)  cursos que tenham muito poucos alunos?
Há duas respostas possíveis:
Sim! Se a área é reconhecidamente uma aposta estratégica para o País e/ou para a região de inserção dessa IES, faz todo o sentido o financiamento.
Não,  não há recursos por parte do estado para assegurar o financiamento, nessas condições!
E então, porque não pode a IES superior abrir esses cursos, que têm qualidade (foram avaliados pela A3ES), com propinas que reflictam os custos totais?
É que, sempre que ocorre esta situação e um curso não abre porque, "nos últimos 3 anos teve um número de alunos inferiores ...." os docentes afectos a esse/s cursos mantêm-se na IES logo o estado não paga mas, em termos globais, a IES tem um problema entre mãos difícil de resolver.
Este problema será tanto mais difícil se não puder, em alternativa, abrir outros cursos que possui na mesma área científica ou similar, que possam suprir essa questão.
Por isso é minha convicção que a acreditação de um número de cursos mais elevado, do que seria de esperar pelos recursos docentes existentes, longe de ser uma "asneira" demonstra uma estratégia que deve ser respeitada.
Se a A3ES indicar que: em determinada área científica a análise dos indicadores justifica que a IES apenas poderá abrir x nº de cursos de 1º ciclo e y de 2º ciclo e z de 3º ciclo com um número máximo de alunos de ....percebo, que não sejam acreditados cursos, ou que seja considerado como indicador, o nº de vagas vs. o nº de colocados não me parece que possa ser utilizado para avaliar a qualidade ou mesmo que deva ser considerado nesse âmbito.

Poderá  a consideração deste indicador  ajudar a "regular" o sistema sem que haja "custo político" quer para a tutela quer para as IES?
Claro que pode!
Será "honesta" esta forma de regulação?
Não!
Deverá esta forma de regulação  ser aceite?
Não! acho totalmente errado, é necessário: por um lado responsabilisar as IES e o  CRUP e o CCISP e também a APESP, pela regulação do sistema, por outro lado é necessário dar-lhes a autonomia de decidirem os seus planos estratégicos.

Na avaliação e acreditação há outro aspecto muito importante, a avaliação pelos pares.
Quem são estes pares?
Os painéis deviam estar disponíveis, os CV dos avaliadores também.
Na avaliação de projectos pela FCT isto é conhecido, pode-se discordar das opiniões, ou não, mas sabe-se quem as deu e que curriculum possuem, na A3ES isto  não é público não está no sítio da A3ES está a decorrer a avaliação não se sabe por quem.
Este aspecto deve ser corrigido!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Portugal não vai ter mais Universidades nem Politécnicos

Durante as celebrações do dia do IP de Viseu o ministro garantiu que “Neste momento, em Portugal, não vamos naturalmente criar nem mais universidades, nem mais institutos politécnicos. Vamos reforçar e qualificar os que existem”, para que “tenham todas as condições para atrair cursos qualificados, para se articularem com as empresas, não só da região mas do resto do país, e para desempenharem o papel que o país precisa”.
 Ao mesmo tempo sugeriu, realmente o mesmo ministro, a criação de uma escola avançada para as ciências e tecnologias do espaço, que envolva portugueses que estudam e trabalham nestas áreas dentro e fora do país.

O que me baralha nisto? será mesmo o mesmo Ministro? que ideia tem ele para o ensino superior?
Lido separadamente ambas as afirmações estão correctas, ou seja:
Não faz sentido criar nem mais Universidades nem mais Politécnicos, o País não tem capacidade para tal nem dinheiro para as/os que estão em funcionamento!
É realmente necessário requalificar os que existem mas isso, envolve dinheiro e planeamento a nível superior!

A segunda afirmação: "criação de uma escola avançada...." é uma requalificação se for a reconversão de algo existente, ou é uma nova escola se não for...!
Afinal o que é?
Quem sabe?
O CRUP ?
O CCISP?
Há uma política? qual é?

Depois há mais, o que entende o Ministro por "requalificação dos que existem", como vai ser feita? até lá como sobrevivem? e se não são, alguns ou algumas IES, qualificadas e necessitam requalificação porque existem?
Há uma política? qual é?

Ao mesmo tempo continua a avaliação de cursos pela A3ES...... já disse, mais do que uma vez, que é essencial, mas.... o que fazemos depois?

Segundo as notícias:
Há dois anos havia mais de 5000 cursos superiores. Quando o actual ano lectivo terminar, mais de um em cada cinco, num total de 1200, terá desaparecido. E outros 500 terão de passar pelo crivo de uma avaliação externa antes de poderem funcionar em 2011/12.

Desde que foi criada Agência de Avaliação já desapareceram 20% dos cursos  que existiam. Mas outros 500 estão em revisão.


Isto é o que se está a passar, na realidade a A3ES está avaliando os cursos tendo em consideração formação do corpo docente, investigação realizada entre, obviamente, vários outros aspectos...
sempre que um curso não for aprovado, fecha, OBVIAMENTE! melhora-se o ensino ...provavelmente! e o corpo docente que lhe estava afecto? faz-se o quê?
Como vai o ministérior resolver isto? ou são apenas pessoas e Instituições, e as regiões em que se inserem, cujos problemas estão longe das preocupações do ministério?

O sr. Ministro tem várias vezes afirmado, e com razão, que o nível da investigação em Portugal cresceu muito, nos últimos anos, mas ele definiu, sem o afirmar claramente, quais as áreas de investigação em que se investe, nomeadamente as áreas dos contratos com as Universidades americanas, e seleccionou as IES que estariam incluídas... ou seja tem uma política, terá? será de Portugal ou do Ministro apenas? é que não se entende....
Ao aumentar a investigação em Portugal o Sr. Ministro afirma que as IES estão "muito melhores" Não! algumas apenas, e apenas em algumas áreas, outras há que "sobrevivem", mas na realidade, todas recebem as mesmas propinas todas formam jovens que serão o futuro do País!

Não se percebe nem a política, nem as ideias, nem se o sr. Ministro realmente tutela o Ensino Superior ou se apenas tutela a Investigação e porque, quem a faz maioritariamente são os docentes das Universidades ele "aguenta" as IES!

Gostava mesmo mesmo de perceber o que se pretende fazer neste país numa área que é tão tão crucial para o País com o Ensino Superior!
Realmente, temos de requalificar!
COMO?
POR FAVOR.... COMO, isto é demasiado importante para não ser nem discutido nem conhecido!?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Será a junção do Ministério MCTES com o da Educação uma questão razoável?

Será que isto faz sentido?
Será que Mariano Gago tem sido um ministro “preocupado” com o ensino superior?
No entanto os 61% dos investigadores que se encontram nas Instituições de ensino superior são pagos pelas Instituições de ensino superior, na íntegra!
É fácil fazer “flores” sem ter despesas de salários!
As IES só este ano, 2010, tiveram, com a assinatura do contrato de confiança, reposta a situação orçamental de 2005!
O Ministro da Ciência e Ensino Superior não tem tido qualquer preocupação com ensino, apenas com Ciência!
A educação em Portugal é demasiado sensível para se pensar na junção destes Ministérios com este Ministro!
Sejam razoáveis!
Não faz sentido!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Na realidade há cortes!!! como seria de esperar....

Novas regras fazem baixar valor das refeições nas universidades

De acordo com a notícia publicada no Público, e com declarações do Secretário de Estado do Ensino Superior, vão ser aplicadas novas regras à indexação do aumento do preço das residências universitárias e do preço das refeições.

É verdade que há uma ENORME CRISE instalada no país!
É verdade que as Associações Académicas têm razão quanto à dificuldades sentidas por um grande número de estudantes!
É verdade que as regras das bolsas foram alteradas e isso diminui em alguns casos os valores recebidos pelos alunos, noutros o número de alunos abrangidos!
É verdade que este assunto TEM que nos preocupar!

Mas:
O orçamento de estado já está aprovado na generalidade
As IES já elaboraram as suas propostas de orçamento para o próximo ano, os SAS das mesmas também!
Esta nova regra, mesmo se negociada com o CRUP, e com o CCISP presumo...., tem uma consequência inevitável a previsão de receita alterou-se, isto é indiscutível!
Quem vai arcar com essa alteração?

As IES!

Fazer estas declarações no dia seguinte à discussão do orçamento de estado para o Ensino Superior na Assembleia da República é, mais uma vez, levar o parlamento a discutir sem ter os dados todos!
Não se faz!

É "simpático" da parte do governo propor isso, é agradável ser simpático!

Não é correcto dizer que não há diminuição de orçamento e legislar no sentido de fazer, inevitavelmente, diminuir a receita! 

ISTO TEM DE ACABAR alguma vez.....